Notícias

Entrevista à Diretora Titular do Colégio Ibituruna

claudia2Cláudia Maria Lopes. Mineira de Virgolândia, de família simples, bem unida e de muito trabalho. A mãe era professora e cinco dos nove filhos seguiram essa vocação. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES e em Administração pela Universidade do Vale do Rio Doce – Univale. Escolheu o mundo da Educação por desejo interior, por amor. Em 2002, entra em contato com os Escolápios e começa a trabalhar no colégio Ibituruna em 2003. Como já participava na caminhada da Igreja (Cebs, Catequese e Movimentos Sociais), inseriu-se nos grupos de fé, colaborando nas ações pastorais da escola. Faz parte da Fraternidade Escolápia, do Movimento Calasanz e da Comunicação Escolápia no Brasil. Em 2018, assume a Direção Titular do Colégio Ibituruna em Governador Valadares. Nesse momento em que celebramos o Ano do Laicato como um dom de Deus, é muito significativo para nós o fato de uma cristã leiga assumir essa responsabilidade no colégio Escolápio, expressando o alinhamento do projeto escolápio com a proposta da Igreja de construir um novo sujeito da evangelização, formado por religiosos e leigos, com protagonismo e compromisso compartilhado.

Como conheceu os religiosos escolápios e como se deu o primeiro contato com a missão escolápia?

Desde a década de 1990, participava das Cebs, da Catequese e dos Movimentos Sociais da Diocese de Governador Valadares, então ouvia falar muito da ação pastoral e da atitude profética dos religiosos escolápios, referência para a nossa Igreja na opção preferencial pelos pobres. E, quando mudei para a cidade de GV, fui contratada pelo Colégio Ibituruna como professora de Redação, depois Português e Literatura. Participei de alguns módulos do curso de Teologia para leigos que os religiosos ministravam e inseri-me na Catequese, colaborando também na Liturgia Dominical. Fui conhecendo, pouco a pouco, a história de Calasanz e a proposta escolápia de educação integral, valorizando os aspectos acadêmicos e de formação humano-cristã, tornando-me apaixonada pelo carisma e missão escolápios. Foi um processo gradual de conhecimento e amor. O que em mim clamava para se concretizar em missão encontrou eco na proposta de vida que a Escola Pia oferece para quem deseja “dar razão da sua fé àquele que lhe perguntar”. É isto: o encontro com a missão escolápia contemplou os anseios do meu coração de seguimento a Jesus Cristo. O carisma calasâncio me inspira e orienta a caminhada com a simplicidade de sua vocação primeira: dedicar-se especialmente à educação integral de crianças e jovens

Em 2018, a Igreja celebra o ano do Laicato.  Qual é a importância dessa celebração e qual o impacto na vida da Igreja?

Recordemos uma reflexão importante sobre o Ano do Laicato apresentada no site da CNBB que nos ajuda a entender a importância desse momento para a Igreja do Brasil e no mundo: “Como batizados, os leigos são chamados à santidade. Essa vocação é para todos. Não se faz necessário ‘fugir do mundo’ para buscá-la. O cotidiano da vida familiar, profissional e social são os lugares ordinários para viver ‘o perfume de Cristo’ e o ‘fermento do Reino’. ‘Eles se santificam nos altares de seu trabalho’.” Também importa ressaltarmos o contexto eclesial que vivemos com o Papa Francisco, impulsionando a mística e as grandes linhas de ação pastoral do Concílio Vaticano II, a saber: voltar ao modelo de Igreja das Primeiras Comunidades Cristãs, que sempre é a fonte de inspiração de toda renovação eclesial; retomar a identidade de pertença dos cristãos a partir do significado do Batismo nas dimensões pessoal, comunitária e social a serviço do Reino de Deus; a participação do laicato na evangelização que precisa de chamado, formação e corresponsabilidade; a atitude de diálogo com o mundo; a evangélica opção preferencial pelos pobres; o testemunho de vida. Eis a nossa missão, a Igreja é de todos. Somos, ordenados e leigos, corresponsáveis, e a Escola Pia reflete muito bem esse espírito de comunhão e participação e abre espaço para isso acontecer, através da Fraternidade e dos ministérios escolápios.

Que significa, na sua vida, assumir a missão e o carisma de Calasanz, como vocação, ao lado dos religiosos e de tantos outros leigos engajados?

O pertencimento às Escolas Pias é um divisor de águas na minha vida. Quando, em 2010, fui convidada para a Fraternidade Escolápia, respondi alegremente e fui percebendo que estar em um grupo, compartilhando a oração, a vida, a missão e a formação era o complemento da minha vocação. Já experimentava um sentimento de pertença à Igreja, a qual amo e da qual procuro cuidar. No entanto, tornar-me membro da Fraternidade revelou-se como um retorno ao Reino, do qual parecia ter me separado. Assim, permito-me ser impregnada pelo Calasâncio que se concretiza no meu viver, de forma completa e apaixonante. E o amor, que já experimentava pelo santo das crianças, foi se ampliando, impulsionando-me a conhecer mais de Calasanz, sua mística, carisma, sua forma de viver a entrega a Deus e aos outros. Saber que compartilhamos a vida com tantos irmãos, leigos e religiosos, também apaixonados pela missão, é muito gratificante e fortalecedor. Sentimo-nos responsáveis uns pelos outros e comprometidos com as ações relacionadas aos diversos aspectos da missão nas obras escolápias. Como escolápia, descubro-me membro de uma grande família, e um sentimento audacioso de universalidade me provoca a ser protagonista e me convoca à ação.       

No Brasil, é a primeira vez que um leigo assume a direção titular de um colégio escolápio. E você será a primeira leiga mulher. Como foi receber o convite?

Éum tanto assustador assumir tal missão. Não foi fácil aceitar, e isso me custou algumas noites de sono e questionamentos interiores. Por que eu? Por que uma leiga? Por que uma mulher? A despeito de o mundo da educação ser predominantemente feminino, sabemos que, para um cargo diretivo, teoricamente de comando, não se espera colocar uma mulher. Bem, esse contexto já reflete parte do desafio. Outros muitos sabemos que nos aguardam. Como diria nosso Provincial, Padre Javier, é um “presente envenenado”, que mexe com nossas estruturas e nos torna corresponsáveis pelos caminhos da Escola Pia. Então, fui me convencendo, aos poucos, e compreendendo que a Direção Titular do Colégio é um posto a serviço dos outros e da missão escolápia e a proposta escolápia de educação contempla trabalhos com projetos e em equipes. Não estamos sós, fazemos parte de uma rede que nos impulsiona, orienta e acompanha. Ademais, os Religiosos Escolápios e a Fraternidade constituem o núcleo da missão escolápia e caminham juntos, como reafirmamos em: “Chamamos a todas as pessoas, religiosos e leigos, congregadas nas Escolas Pias, para que, com decisão e espírito profético, colaborem na abertura de novos caminhos, pelos quais o carisma recebido por São José de Calasanz possa reviver na Igreja, a serviço de crianças e jovens, para maior incremento da piedade” (44º Capítulo Geral das Escolas Pias. “O laicato nas Escolas Pias, V).

 

Escolápios Brasil
Rua Armindo Batista Pereira, 13 - Fernão Dias
Belo Horizonte/MG - Brasil - CEP: 31910-400
secretariaprovincial@escolapios.org.br
55 (31) 3317-7426

Siga-nos nas redes sociais

Pesquisar