São José de Calasanz

Nova Vice-Província Brasil - Bolívia

Nova Vice-Província Brasil - Bolívia

“uma vocação escolápia revitalizada”

Iniciamos uma nova etapa nas Escolas Pias de Brasil e da Bolívia ao unir seus caminhos em uma nova Vice-Província com uma vocação escolápia revitalizada. Mas, pode-se voltar a nascer? É a pergunta de Nicodemos a Jesus.
Na vida de uma pessoa ou de um grupo, o passo de uma etapa a outra é motivo de celebração e alegria. Recordanos o presente da vida ao nascer e, em um grupo, faz-nos descobrir o entusiasmo dos começos.
Assim, a Fundação da Bolívia, do Brasil, da Andaluzia, de Vascônia, da própria Ordem, foi oportunidade para seus protagonistas reviverem e recordarem com admiração e agradecimento, o entusiasmo daqueles primeiros escolápios liderados por Calasanz, abençoados pelo Espírito de Deus.
Hoje toca a nós. Agora damos um passo a mais com a criação da nova Vice-Província do Brasil e da Bolívia. Não se trata de uma união somente estratégica, mas que responde mais a um sinal dos tempos que a vida religiosa na América e em outras regiões do mundo que se vai descobrindo.
Esse sinal, de alguma maneira, é fruto da debilidade, de ser menos, certo. Mas não duvidamos de que é nos momentos mais difíceis da história de Israel que Deus se manifesta com mais força. A debilidade é uma condição de fé, não de autossuficiência.
Esse sinal deve estar pintado de humildade. E a humildade é o antídoto do individualismo, tão comum em nossa sociedade e do qual temos nos contagiado com frequência dentro da vida religiosa. A obra ou projeto que “eu ou meu grupo” estamos desenvolvendo posso senti-la “ameaçada” pelo fato de compartilhar ideias, forças e recursos com outros projetos e outros irmãos.
Esse sinal há de converter-se em um chamado a renovar nossa abertura às fontes do dom de Deus. O caminho de revitalização da Ordem é um convite a reabrir em nossa ordem escolápia o chamado inesperado do Senhor Jesus. Quantas vezes temos rezado em nossa história vocacional, “te seguirei aonde tu me levares, Senhor”. No entanto, o salto de fé que cada dia temos de fazer para sermos coerentes com isto porque oramos nos dá medo.
Neste ano litúrgico, em que nos acompanha o evangelho de Marcos, podemos contemplar, como Jesus, por meio de sinais que oferece a seu povo para recuperar a vida. Em Nazaré, seus conterrâneos não o recebem. Por que? Os habitantes desta aldeia não são homens e mulheres humildes, assediados pela violência do império romano, pelo empobrecimento injusto, pela estreiteza religiosa de seus dirigentes? Acaso não esperavam um Messias que dera cumprimento a promessa? Que os impedia de ver e receber o que tanto esperavam?
Sempre será um desafio olhar mais adiante dos avanços que consolidamos na vida pessoal de cada um e como grupo, por melhor que sejam. Sempre, com a ajuda de Deus, temos de nascer de novo.

Pe. Juan Mari Puig
Vice-Provincial Brasil - Bolívia