São José de Calasanz

Paróquias Escolápias

Paróquias Escolápias

Igreja e questões sociais

O povo de Deus deseja ver a Igreja encarnada na realidade da vida, com uma atuação mais forte nas questões sociais.
O crescimento desta consciência social nasce da difícil situação atual: processo acelerado de empobrecimento da população, desemprego, corrupção, mal uso do dinheiro público, falta total de condições de vida. A maior expressão disso é a escandalosa e injusta desigualdade na distribuição de renda, o aprofundamento do abismo entre ricos e pobres. Este empobrecimento é decorrente da própria lógica do sistema econômico que produz exclusão social, gera muitas inseguranças, aumenta a violência e a criminalidade.
Esta situação de exclusão é um escândalo; exige uma presença pública da Igreja e desafia os cristãos a uma ação libertadora que não fique no mero assistencialismo.  A Igreja não pode ficar alheia à dramática situação vivida pelos pobres; fiel a suas origens quer defender a vida, atuando onde está ameaçada e resgatar a dignidade dos excluídos.
A Igreja declara que “as alegrias e esperanças, angústias e tristezas dos homens, são suas esperanças e alegrias” (Concílio Vaticano II). Reafirma sua “opção preferencial pelos pobres”. É um compromisso claro e evangelicamente irrecusável.
Este compromisso na área social e política nasce da própria fé em Jesus e da missão recebida dele. Jesus se apresentou publicamente como enviado aos pobres; se identificou com os marginalizados; foi condenado por denunciar um sistema corrompido que desprezava a vida dos inocentes. A vida de Jesus no meio dos pobres e em favor deles foi expressão máxima da vontade do Pai. “Eu vim para que todos tenham vida em abundância” (Jo 10,10).
É missão da Igreja continuar a obra evangelizadora de Jesus e ajudar na construção de uma nova sociedade, justa e fraterna, como sinal do Reino de Deus. A Igreja, fiel a essa missão, quer envolver-se com as questões que dizem respeito à construção da sociedade humana e colocar-se a serviço dos excluídos. Quer promover a cidadania e o engajamento dos cristãos nos movimentos populares e partidos políticos. Quer ajudar a diminuir as desigualdades e resgatar a dignidade humana. Tudo isso é uma exigência evangélica, à qual não pode renunciar. Este sonho da uma nova humanidade é partilhado também por muitas pessoas que, apesar dos graves problemas, mantém viva a esperança de que “um outro mundo é possível” (Fórum Social).
A fé autêntica incentiva a participação na área política. Queremos viver uma fé mais ativa, que se expressa em atos de solidariedade e compromissos concretos; e uma fé mais crítica, que combate tudo que opõe à vida.
Principais destaques do compromisso social da fé:
Serviço aos pobres. Promover campanhas e serviços sociais, a partir da atuação decidida das Pastorais Sociais; combate ao desemprego; solidariedade (sem paternalismos); deixando espaço para que os beneficiados sejam co-responsáveis pela sua própria promoção.
Ações políticas e estruturais. Exigir e apoiar políticas públicas que visem a erradicação da miséria e da fome; articular-se com todos os que trabalham pela vida; educar para a cidadania; aprofundar o conhecimento das causas da pobreza.
Atuação profética da Igreja. Assumir o papel de formadora de opinião, denunciando todo tipo de opressão, proclamando os valores evangélicos e anunciando o projeto de Deus. Uma Igreja corajosa que se pronuncia com força em defesa da ética, da vida e dos direitos humanos.