São José de Calasanz

Você sabe o que significa "Itaka"?

Você sabe o que significa "Itaka"?

Segundo a Odisséia de Homero, Ítaka foi a ilha natal de Odisseu (Ulisses). O reinado de Ulisses decorreu no século XII a.C., quando os gregos foram a Tróia. A guerra durou 10 anos, mas Odisseu levou outros dez para regressar à sua ilha natal, após inúmeras aventuras pelo mar Egeu e o mar Mediterrâneo. Em suas batalhas, o sonho de regresso à Ítaka é o que encoraja Ulisses. 

 
Ítaka representa o sonho, o lugar ideal, a realização das aspirações mais profundas. Itaka-Escolápios toma emprestado o sentido da mitologia, buscando construir uma sociedade mais justa e solidária, baseando neste sonho a vida e o trabalho de quem compartilha desse ideal.
 
 
Ulisses
 
Ulisses era filho de Laertes, rei de Ítaka, e de Anticleia, filha do herói Díocles. Fingiu-se louco para evitar que o mandassem tomar parte na Guerra de Troia. Mas Palamedes, príncipe da Eubeia, desconfiou do fingimento de Ulisses e colocou à frente da relha do arado, puxado por bois, que Ulisses guiava na lavoura, o próprio filho de Ulisses, Telémaco, ainda criança. Para não ferir o menino, Ulisses levantou o arado a toda a pressa, dando assim a conhecer que não estava louco. Foi, por isso, recrutado para tomar parte no cerco de Troia. Fez parte do grupo de gregos que entraram em Troia no gigantesco cavalo de madeira, o que permitiu também a entrada dos soldados gregos através da abertura feita na muralha para dar passagem ao dito cavalo, que não cabia em nenhuma das portas da cidade.
 
Ulisses foi encarregado de ir a casa de Licomedes, rei de Ciros, buscar Aquiles, que aí se refugiara para não ser mandado para a Guerra de Troia. Encontrou Aquiles disfarçado de mulher, a fazer às damas do palácio a apresentação de joias de grande valor, misturadas com armas, de que Ulisses, aliás, se apoderou imediatamente.
 
Voltando a Ítaka, passou muitos perigos na sua viagem marítima, em luta permanente contra a sua má sorte. Naufragou na Ilha de Circe, onde a feiticeira do mesmo nome, que conviveu com Ulisses, teve dele um filho a que deram o nome de Telégono. Acabou por sair desta ilha para ter um novo naufrágio junto da Ilha dos Ciclopes, onde foi aprisionado com os seus companheiros. Com a habilidade de que dispunha, todavia, escapou dos encantos das sereias e partiu de novo. Nesta altura Éolo, deus dos ventos, tratou muito bem Ulisses e ofereceu-lhe vários odres onde os ventos estavam encerrados. Os seus companheiros, roídos de curiosidade a respeito do conteúdo dos odres, abriram-nos, e os ventos saíram com tal impetuosidade, que provocaram uma violenta tempestade. Ulisses perdeu todas as naus da sua frota, conseguindo, todavia, salvar-se numa prancha e chegar, de novo, a Ítaka. 
 
O seu estado era tão miserável que ninguém o reconheceu. Disfarçado, conseguiu aproximar-se incógnito de Penélope, sua mulher, que, assediada de numerosos pretendentes, havia prometido casamento àquele que conseguisse endireitar-lhe o arco. Ninguém o conseguiu, até que se apresentou Ulisses, que levou a bom termo aquela tarefa. Ulisses deu-se então a conhecer e entrou de novo no seio da família.
 
Em determinada altura, tendo sabido por um oráculo que um filho lhe tiraria a vida, entregou os seus estados ao seu filho Telémaco, para poder ausentar-se e escapar àquela previsão. Mas Telégono, o outro filho de Ulisses, sentindo-se deserdado, matou o pai, cumprindo-se assim o que fora anunciado pelo oráculo.
 
 
Ilustração: viagem a Ítaka (autor desconhecido)
Ilustração: viagem a Ítaka (autor desconhecido)
 
 
 
A Odisséia: poema a Ítaka
 
Quando partires em direção a Ítaca,
que a tua jornada seja longa
repleta de aventuras, plena de conhecimento.
 
Não temas Laestrigones e Ciclopes nem o furioso Poseidon
não irás encontrá-los no caminho, se o pensamento estiver elevado,
se a emoção jamais abandonar o teu corpo e o teu espírito.
Laestrigones e Ciclopes e o furioso Poseidon
não estarão no teu caminho
se não os levares na tua alma,
se a tua alma não os colocar diante dos teus passos.
 
Espero que a tua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de Verão,
que o prazer de ver os primeiros portos
traga alegria nunca vista.
Procura visitar os empórios da Fenícia
recolhe o que há de melhor.
Vai às cidades do Egipto,
aprende com o povo que tem tanto a ensinar.
 
Não percas Ítaca de vista,
pois chegar lá é o teu destino.
Mas não apresses os teus passos;
é melhor que a jornada dure muitos anos
e o teu barco só ancore na ilha
quando já estiveres enriquecido
com o que conheceste no caminho.
 
Não esperes que Ítaca te dê mais riquezas.
Ítaca já deu uma bela viagem;
sem Ítaca jamais terias partido.
Ela já te deu tudo, e nada mais te pode dar.
 
Se, no final, achares que Ítaca é pobre,
não penses que ela te enganou.
Porque te tornaste um sábio, viveste uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca.
 
Poema de Konstantinos Kavafis