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A festa de "Tata" Apóstolo Santiago | Anzaldo - BO

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Nas alturas dos Andes, a monotonia do frio, do sol escaldante, da terra ocre, do gado esperando para ser pastoreado, das idas e vindas aos campos, da vida tranquila e rotineira, parece impor sua lógica. No entanto, de tempos em tempos, o poder da inércia é superado por um evento especial e muito aguardado: a festa.

Com muita expectativa, as pessoas se preparam, arrumam as casas e as ruas, ensaiam as músicas e danças e preparam a indispensável chicha. A festa é uma ocasião para se encontrar com aqueles que não moram mais aqui, mas continuam habitando os corações de familiares e amigos; com aqueles que moram perto, mas raramente vêm à aldeia com tempo para visitar e conversar com os amigos; com aqueles que vêm apenas para conhecer e aproveitar a festa, sendo tratados com respeito e carinho; com aqueles que já se foram e agora nos acompanham do seio da Pachamama, lembrados e louvados em missas e orações.

Festividade é excesso, exagero, desperdício. Para quem vive na escassez diária, dependendo de elementos inesperados como chuva, sol, granizo ou geada, a época de festas significa uma pausa, um parêntese. Durante esses dias, podemos abusar de tudo: gastar, comer, ficar ociosos e, infelizmente, também beber, o que nos tira do controle e nos perde. A música, a dança e a chicha formam agora uma trindade onipresente em todos os momentos e em todos os cantos, acompanhando procissões, orientando a entrada das irmandades (grupos com danças folclóricas), reunindo amigos em portas e praças.

Nos dias de festa, as tradições se misturam. Com a lembrança do padroeiro (ou padroeira, ou invocação de Maria) vêm as missas, as orações, as velas, as procissões, as bênçãos. E, junto com eles, em uma única experiência, como uma única forma de vivenciar o sagrado, os ritos ancestrais, porque não é necessário cortar as próprias raízes para se permitir florescer com a Boa Nova de Jesus.

Na festa, o passado, o presente e o futuro se unem. A memória do que fomos e que jamais devemos esquecer; a realidade em que vivemos e que não podemos negligenciar; o futuro que queremos e que precisamos construir. O festival é uma comemoração do passado que superamos, das vitórias que experimentamos e das feridas que carregamos, pois tudo isso nos molda e nos orienta. A festa é também uma exaltação exagerada do que ainda não temos, em um presente que, por alguns dias, esquece o esforço ingrato, a carência crônica, o sofrimento silencioso. E, finalmente, a festa é uma antecipação da felicidade desejada, de uma dança eterna, harmônica, respeitosa e transcendente. A música, a dança e a chicha nos conduzem ao encontro com nossos antepassados, com nossos irmãos e irmãs atuais e com os novos que virão para completar nossas lutas e levantar nossas bandeiras, agora cansadas e roídas pelo tempo e pelo desgaste daqueles que já deram o que podiam.

Artigo escrito por Padre Carlos Aguerrea, Sch.P.

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